Nessa época, deram-se dois passos importantes
para duas atividades que acabariam por ser abraçadas mais tardiamente pelo
Nespereira FC.
A primeira, no que me toca, nasce de uma
situação muito caricata!Nespereira, em 2000, estava a ser visitada por um grupo
de missionários que, através dos seus discursos e das suas palestras, e
demonstrações de comportamentos, sem Nespereira dar conta, modificou
completamente a visão do povo em relação à Igreja Católica. Bom...mas isto não
tem nada a haver com futebol! Mas isto que se vai passar, sim! Então, a minha
Mãe, resolveu convidar o grupo de missionários para irem comer uma feijoada à
brasileira lá em casa, e, eu aproveitei, e como adoro feijoada, me empanturrei
daquela maravilha no almoço. Como é hábito bem português, no final do almoço
subimos aquela ladeira bastante íngreme que liga a Feira Franca de baixo à
Feira Franca de cima, para nos deslocarmos ao Café Emigrante, do mais
benfiquista dos donos de café eu já conheci, Armando Oliveira, para levar os
visitantes a tomarem um cafezinho.
Chegando lá no café, que estava cheio de
clientes, vejo entrar o Artur Vieira, muito apressado, e se dirigiu ao balcão,
falando com o Pepe, e quando eu me dirigia ao balcão para pagar a despesa, o
mesmo se dirige a mim, e me disse:
- Ó Ercílio...não te apetece ir para uma
patuscada?
Eu, empanturrado de uma feijoada, olhei
estranhamente para ele, sorri e disse:
- O que? Acabei de comer! Pelo amor de Deus!
Aí Artur, explicou-me direito o que era:
- Não...Arranjamos aí um joguinho em Sta.
Maria da Feira, precisamos de malta, e não temos...vá lá! Até o Pepe vai!
Fiquei pensativo naquela altura, se aceitava o
convite, mas tive em consideração, o pedido por ter vindo do Artur Vieira, e
tendo em consideração também, o grupo de ex-jogadores que, em época de Verão,
nos deslocávamos no final da tarde, todas as terças e quintas, ao pavilhão de
Pindelo, para jogarmos futsal, e resolvi aceitar.
Fui ao campo do Olival buscar o meu
equipamento de futebol, pus num saco e dirigi-me ao Café O Imigrante, onde
estavam à minha espera. Dividimo-nos em três carros, e partimos em direção à
Santa Maria da Feira. Chegando à Santa Maria da Feira, encontramos Bernardo, um
brasileiro, residente naquele concelho, mas que exerceu a profissão de
chapeiro, por muitos anos, em Nespereira.
Ele nos guiou até Tarei, onde íamos jogar contra uma equipa de veteranos
do Soutense. Recordo-me de chegarmos ao campo, estarmos à espera de que
acabasse um jogo de juniores que ali estava tendo, enquanto isso, um dos
jogadores do Soutense, começou a contar-nos o histórico deles, falando que
recentemente tinham jogado com os veteranos do FC Porto, do Boavista, e eu a
pensar para mim, “que cabazada que vamos levar aqui!”. Eramos onze certinhos, e
aí, entramos nos balneários para nos equiparmos, quando o Artur Vieira pergunta
para o Paulo Soares:
- Quem vai à baliza? Tu ou o Cilo?
O Paulo Soares não demonstrou muita
preocupação e indicou-me para ser o guarda-redes. O “onze” era apelativo: Ercílio; Álvaro,
Vilarinho (o pai), Domingos, Paulo Soares; Fernando Nésia, Toni Resende, Jorge
Soares, Pepe; Artur Vieira e Tonito. As expectativas de um bom resultado eram
fracas devido ao fato de sermos apenas onze jogadores, todos despreparados
fisicamente, contra uma equipa cheia de jogadores, com um banco de suplentes, e
muito mais entrosados que nós.
Mas, lembro-me que marcamos cedo, aos 19’, com
um golo nascido de uma jogada individual de Pepe. Os adversários não apertaram
muito também, embora tenham enviado uma bola ao poste da minha baliza, e que
apenas fiquei a olhar, nem me fazendo ao lance.
Na segunda parte, a coisa mudou completamente,
e, ajudados pelo cansaço físico da nossa equipa, principalmente do lado
esquerdo, fomos autenticamente massacrados, e refiro, que de todos os jogos que
já realizei, este talvez terá sido o mais bem sucedido, porque consegui fazer
defesas, que nem os meus colegas esperavam, nem mesmo eu. Guardando na
lembrança uma defesa, em que, num pontapé de canto, a bola cruzou a área toda,
surge um adversário que rematou cruzado, eu me fiz à bola, e consegui defender,
mas com a bola ressaltando para o outro lado, tendo havido um outro adversário
que tentou chutar a bola em jeito, e eu, consegui me levantar, e fui buscar a
bola no cantinho, desviando para canto, me perguntando até hoje, como consegui
defender aquela bola, que irritou imensamente os jogadores do Soutense. O
resultado final foi de 1-1, terminando o jogo num restaurante perto dali, onde
fez-se um convívio muito salutar. Aqui nasceu a base dos atuais veteranos do
Nespereira FC! Pois, este tipo de jogos com convívios eram aliciantes, e
chamaram a atenção de Isidro Semblano e Hernâni Andrade, que logo montaram um
esquema para regularizar a equipa de veteranos do Nespereira.
A segunda, foi a minha persistência em fazer a
equipa feminina de futebol. Quando os infantis começaram a chegar ao final do
campeonato, eu abordei o Sr. Isidro Semblano, e questionei-o se poderia fazer
um treino com as raparigas, nas quartas-feiras de tarde, depois que acabasse o
campeonato dos infantis. Ele não se opôs, e me autorizou. Aí, começaram os
primeiros treinos da equipa feminina de Nespereira, que treinou cerca de dois
meses, antes de ter o seu primeiro jogo, em Travanca, num mini-torneio, que
ganhamos por 5-2, com 2 golos da Vera Pinto, 2 da Cristiana e um da Célia. Aqui
começou a base da equipa feminina. Elas eram treinadas por mim, e pelo meu
auxiliar, o Daniel “Vilarinho”, que muito me ajudou na preparação física delas.
O Nespereira ainda jogou dois jogos de futebol de 11, contra as meninas de Alvarenga. Eu resolvi "inovar" e pus a equipa a jogar em 3-5-2: Bete; Marcela, Isaura, Vera Bravo; Ana Maria, Maria João, Vera Pinto, Célia, Cristiana, Ondina e Paula Simões. O primeiro jogo ganhamos com um 2-0 claro, mas o jogo lá em Alvarenga ia azedando, muito por culpa das provocações das raparigas alvarenguenses, que iam se pegando com a Maria João, que muito corajosamente enfrentava-as. Lá o resultado foi de 1-1.
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