Na época da Páscoa de 2002, a equipa feminina
de futebol, apesar de não ser oficial, disputou um torneio de Páscoa, em
Espadanedo, com o Presidente, Isidro Semblano a nos emprestar a “velha” carrinha Peugeot, que era conduzida
pelo Daniel “Vilarinho” para nos deslocarmos a Espadanedo, todos os sábados de
tarde, para jogarmos.
Mas como sempre,eu não podia levar as
jogadoras todas, e assim obrigou-me a fazer algumas escolhas, tendo eu, que
deixar de fora dois elementos muito queridos para o plantel, mas que eu
considerava que poderiam render muito mais do que aquilo que rendiam na altura:
Marcela e Teresa Duarte. Durante muito tempo, tive que ouvir as “indiretas” da
Marcela para mim. Recordo-me que, por causa da Marcela, a Maria João chegou a
me ameaçar, em pleno Café Barra Azul, que se a Marcela não fosse, ela também
não iria. Mas falei com ela, e tentei chama-la à razão, e ela acabou sendo a
capitã- que sempre foi- da equipa feminina. Já a Teresa, falei com ela, sentando-me
na mesa para lhe explicar a minha opção, e após eu ter-lhe dito, que ela
poderia render muito mais, que ela poderia melhorar, ela entendeu
perfeitamente, e aceitou de forma pacifica a minha escolha.
Foi um torneio bastante cansativo, porque todos os sábados lá saíamos nós de Nespereira, na "velhinha" Peugeot azul desbotada pelo tempo, conduzida de forma esforçada pelo Daniel "Vilarinho", que me ajudava com a equipa feminina.
Uma das histórias curiosas foi o não aparecimento da Dulce num dos jogos, que todo mundo não sabia dela, aí acabei por saber em cima da hora, que a Dulce teria "fugido" com o seu namorado Faria, para a Inglaterra. Mal desliguei o telemóvel, as raparigas questionaram-me:
-A Dulce? Onde está a Dulce?- e eu admirado, em choque, somente respondi:
- A Dulce foi transferida! Foi jogar para o Blackburn Rovers!- resposta esta que deixou todo mundo sem entender o que eu disse, e que depois esclareci!
Neste torneio, vencemos, saímos invictos, só com
vitórias, e com o melhor ataque do torneio, após uma vitória esmagadora sobre o
Travanca. Recebemos o troféu da mão do vereador do Desporto, prof. Manuel
Domingos, e ainda, o Presidente da Junta de Freguesia de Nespereira, Prof.
Mário Teixeira,pagou-nos o jantar no Restaurante Mirante da Boavista. Esta vitória, apesar de não ser muito
valorizada, e até mesmo ter passado ao lado, da própria população
nespereirense, foi uma vitória que chamou imensamente a atenção do Sr. Isidro
para aquele grupo de miúdas que se esforçavam por ganhar pelo Nespereira FC.
Durante este período, começam a surgir alguns
contra-tempos na gestão do clube, como por exemplo o problema da eletricidade.
A Junta de Freguesia de Nespereira foi presidida durante vários anos por Isidro
Semblano, que filiava o PSD. Mas, nas eleições de 2001, o PSD optou por apoiar
o candidato Prof. Mário Teixeira. Então, Isidro Semblano quando soube, resolveu
não desistir e apoiado por vários nespereirenses, fez uma lista associada ao
CDS/PP. A campanha foi muito ativa, cheia de trocas de acusações, o que fez
destas eleições muito concorridas, mas
mesmo assim, Prof. Mário Teixeira venceu as devidas eleições. Os dois
conseguiram votos suficientes para dividir a Junta de Freguesia, mas como se
previa o ambiente entre o Prof. Mário Teixeira e Isidro Semblano não era dos
melhores, devido a muitas mágoas retidas das coisas ditas em campanha.
O Prof. Mário Teixeira decidiu começar a
“varrer a casa”, e nos seus arrumos, descobriu que a eletricidade do Campo do
Olival era toda arcada pela Junta de Freguesia de Nespereira. Não sei se por
birrice ou por ética, a Junta de Freguesia avisou que não iria mais ajudar nas
despesas da eletricidade do Nespereira FC, e que iria mandar cortar a conta que
existia na EDP.
Este assunto deu uma dor de cabeça tremenda à
Direção do Nespereira FC, que de repente se viu a braços com a hipótese de
ficar sem energia eletrica, por aquilo que toda a população considerava, não
ser uma atitude contra o clube, mas sim contra o seu presidente.
Fizeram-se Assembleias Gerais, o presidente da
Junta de Freguesia, na altura esteve presente, argumentou as suas opções, foi
debatido várias vezes,até chegar ao fim, e reconhecer que havia necessidade de
legalizar, passando a eletricidade para o nome do clube, deixando assim de
haver ajuda da Junta em relação ao clube.
Ainda antes do final da época, Isidro Semblano
arranjou um torneio de equipas veteranas, para disputar em França.
Como os descobridores portugueses, há 500
anos, à procura da glória e ao serviço da pátria, um grupo de veteranos de
idade, mas jovens na mente, saíram no dia 16 de Maio de 2002, em direcção à
França, com o intuito de mostrar aos outros povos a garra nespereirense que os
nossos compatriotas esperavam ver em campo.
Após uma viagem longa e cansativa– mas muito
bem humorada– lá chegamos ao nosso destino, em Clichy– sous– bois, nos
arredores de Paris. Fomos instalados num hotel simpático, juntamente com um
grupo de estudantes polacas, checas, húngaras e romenas que chegaram em Paris à
mesma hora.
O meu companheiro de quarto na primeira noite,
foi o Varito. Passamos uma grande parte da noite a jogar cartas.
Na manhã seguinte, logo às 8 horas já
estávamos a pé, para nos prepararmos para o jogo.
O meu entusiasmo em jogar num torneio como
este era tal, que, eu nem me lembrei que era dia do meu aniversário. Só me
lembrei, porque a minha Tia Zélia, não conseguia ligar para mim, e então ligou
para a Profª Fernanda Resende, esposa do Sr. Toni Resende, e aí revelou-lhe que
eu fazia aniversário, e que queria falar comigo. Foi quando a Profª Fernanda
veio então me dar os parabéns, é que eu “voltei à terra”, e lembrei-me que realmente
que era o dia do meu aniversário.
O nosso primeiro adversário foi uma equipa
argelina ( da terra do Zidane), a quem batemos facilmente por 3-0, no estádio
local, com golos de Almerindo e Vítor Andrade (2). Algumas horas depois
voltamos a jogar contra a equipa do Amis Clichy, a quem também vencemos por
1-0, mas desta feita com um golo de Varito. Após isto fomos almoçar, e de
seguida a equipa argelina, perguntou– nos ao nosso capitão– Isidro Semblano– se
poderíamos emprestar o guarda redes suplente– neste caso, eu!- porque o guarda
redes deles tinha fracturado a clavícula. O convite foi aceite, apesar do meu
enorme medo, por jogar por uma equipa muçulmana. Apesar de tudo o jogo até
correu bem…”ganhamos” 1-0 à equipa da casa! Não sofri nenhum golo– o que foi um
milagre!
Entretanto, o Nespereira apenas necessitava de
uma vitória para se qualificar para a final. Num jogo muito duro, já perto do
final, Isidro Semblano faz um passe cruzado, e Toni Resende surge no segundo
poste a marcar o golo que iria nos dar a vitória e o passaporte para a final do
torneio, despoletando uma enorme ira na equipa dos Águias de Paris. Já no final
da tarde fez-se o último jogo para se cumprir o calendário, em que fomos
derrotados pelo Lusitânia de Clichy. A Final estava marcada para o dia
seguinte!
No dia seguinte, fomos passear pela Cidade
Luz, conhecendo os diversos pontos turísticos de Paris. À tarde, voltamos para
jogar, e qual o nosso espanto, quando vemos que os nossos adversários tinham
ido buscar os melhores jogadores das outras equipas para nos ganhar!
Entramos no jogo sem medo, e fomos muito
perdulários até! No final o resultado era 0-0, Recorreu– se aos penalties!
Nunca pensei viver uma sensação de angústia tão grande, ainda por cima, com o
estádio apinhado de portugueses a assistirem e a torcer por nós! Vítor Andrade
bate o primeiro penalty e marca. O adversário remata à trave. Almerindo bate… e marca, pondo o Nespereira
fez 2-0. O adversário, remata, e permite à Artur uma grande defesa, Isidro
Semblano, bate o terceiro e marca… agora era só o adversário falhar! Num
momento angustiante no banco, todos estavam em pé, mas o sr. Toni Resende diz–
nos: “ainda não vencemos!”. O adversário corre e manda a bola por cima da
barra! Foi uma explosão de alegria no Estádio. Parecia que tínhamos acabado de
ganhar um Campeonato do Mundo! Por incrível que pareça, essa era a sensação, no
meio dos risos, choros e aplausos dos adeptos presentes. A alegria era tanta,
que eu me lembro de algumas crianças virem ter connosco, pedir autógrafos,
camisolas e até as minhas luvas!!!! Foi memorável!
Relembrando os dezassete irredutíveis
lusitanos: 1– Artur;2– Álvaro; 3– Hernâni;4– Domingos; 5– Alfredo; 6– Tonito;
7– Vítor Andrade; 8– Paulo Soares; 9– Varito; 10– Isidro Semblano; 11– Toni
Resende; 12– Ercílio; 13– Tavares; 14– Eduardo;15– Almerindo; 16– Paulo
Marques; 17– Paulo Cardoso.
Só se demonstrou que “velhos são os trapos!”
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| Em cima: Domingos, Ercílio, Almerindo, Álvaro, Isidro Semblano, Paulo Marques, Eduardo, Tony Resende, Artur Nunes Em baixo:Paulo Soares, Tavares, Paulo Bateira, Tonito, Varito, Alfredo, Vítor Andrade |
No regresso a Portugal, chegando em
Nespereira, as esposas dos “veteranos” prepararam um pequeno lanche, no Café
Soares, onde nos esperavam.
Esta época fica marcada também pelos festejos
dos 50 anos do Clube, que a 31 de Maio de 2002 festejou com uma grandiosa
cerimónia em honra do clube.
Nessa altura, fez-se um grandioso almoço, no
Salão do Clube, onde foram convidados todas as entidades, inclusive
ex-presidentes do Nespereira FC, e foi assinado um protocolo de filiação entre
o Nespereira FC e o Boavista FC, que na altura acabara de ser campeão nacional,
e era presidido por João Loureiro, que esteve presente. Na altura do discurso,
o Sr. Isidro Semblano referiu que “poderia ter sido o FC Porto, Sporting CP ou
até o SL Benfica, mas que optou pelo Boavista por ser um clube mais próximo, e
que tinha a simpatia de todos os adeptos. Já João Loureiro referiu que “estava
orgulhoso pelo fato do Boavista conseguir expandir os seus horizontes
socialmente”, dando de presente ao Clube, uma enorme pantera prateada, símbolo
do Boavista. As cerimônias terminaram,
quando houve um jogo entre o Nespereira FC e o Boavista FC, em que a equipa
visitante se apresentou apenas com os juniores, vencendo o jogo por 1-0.


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