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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O MAU-PERDER DO SERNANCELHE; O JOGO DE SOUSELO; O ÍNICIO DO FIM DA "ERA ISIDRO" E O REGRESSO DO DERBY "MACIEIRA-NISPRA"



Depois, na semana seguinte, tivemos outra deslocação complicada: Sernancelhe!  Num campo imenso, o Nespereira jogou com o Sernancelhe, de maneira bem renhida, e muito corajosa! O Nespereira esteve ganhando por 3-1, com golos de Nuno Cardoso, e dois tentos de Carlitos. Paulo Monteiro fez uma exibição espectacular contra o Sernancelhe, sendo ele o assistente dos dois golos de Carlitos. O Sernancelhe ainda reduziu para 2-3.Mas, no final, num livre, Sérgio Silva e Jorge Ramalho atrapalham-se, e Sérgio Silva acaba por fazer auto-golo, permitindo ao Sernancelhe o empate. No final, os jogadores do Sernancelhe estavam muito exaltados, e protestavam contra o árbitro, e após a equipa do Nespereira já ter entrado para os balneários, alguns jogadores do Sernancelhe agrediram fisicamente o árbitro, na entrada do acesso aos balneários. Isidro Semblano ainda estava do lado de fora, e como foi preciso a intervenção da GNR, para retirar o árbitro do meio da confusão, Isidro Semblano encostou-se ao árbitro que estava sendo abraçado pelo oficial da GNR, e que ameaçava os jogadores de prisão, caso alguém tocasse nele, e disse muito discretamente:
- Senhor árbitro, isto é um  escândalo! Ponha isso no relatório! Se for preciso, eu serei sua testemunha!- Mas, creio que o árbitro nem deverá ter referido este incidente no seu relatório.
O regresso de um “derby” também é motivo de referência. Neste caso, com o Souselo. Em casa do adversário, o Nespereira começou o jogo de melhor forma, aos 7’ de jogo, Paulo Monteiro, de cabeça, põe o Nespereira em vantagem no campo do Souselo. Após isto, o jogo começou a endurecer, e o nosso guarda– redes Jorge Ramalho, teve de sair substituído por Pedro Semblano. O Nespereira iria sofrer o golo do empate ainda antes do final da primeira parte.
Na segunda parte, Isidro Semblano, mexe na equipa, e troca Rui Teles por Pepe, e Paulo Sérgio por José Júlio. A imaginação de Pepe não ajudou muito na altura, e o Souselo, num lance muito duvidoso, iria alcançar a vantagem, num lance precedido de uma falta inexistente. No final do jogo, depois de ganharem o jogo, o guarda redes e o capitão da equipa, na altura dirigiram– se ao público nespereirense, maioritariamente mulheres,  e fizeram gestos obscenos, debaixo do olhar indiferente do árbitro, realizando uma triste figura!!!
Nessa época, baseado numa folha que Isidro Semblano fazia semanalmente, com os resultados e classificações dos campeonatos, e expunha nos diversos cafés da freguesia, idealizei uma espécie de folheto, tipo jornal chamado “Bola do Ardena”, com os resultados, equipas e apreciação do jogo, que mostrei ao mesmo, mas ele não se mostrou muito interessado no possível projeto, que o deixei na gaveta.
A partir do próximo jogo, o ambiente dentro do balneário nespereirense iria ficar mais pesado.
O Nespereira recebeu a equipa do Carvalhais, e a equipa visitante marcou primeiro, saindo para o intervalo, ganhando por 1-0. A meio da segunda parte, o Carvalhais aumenta o marcador para 0-2, mas logo de seguida, num pontapé livre, Nuno Cardoso reduz para 1-2, vindo a correr para mim e dedicando-me aquele golo que nunca mais vou esquecer.  O público nespereirense reanima, e tenta incentivar a equipa. Só que, num lance em que Jorge Ramalho hesitou na saída da bola, o Carvalhais marca o 1-3, resultado que finalizou o jogo. Então, Hernâni numa situação de desespero e inconformado com o resultado, já dentro do balneário, agarra na braçadeira de capitão, atira-a contra o chão, e reclama:
- Não temos nem guarda-redes, nem avançado!
Com esta frase, Hernâni despoletou um sentimento de antipatia, por parte de dois elementos que ocupavam aquela posição: Jorge Ramalho, que é uma pessoa bastante geniosa e impulsiva; e Carlitos.
Mas não era só isso que estaria afetando o clube naquela altura. Nesta época, Isidro Semblano começa a demonstrar alguns sinais de fraqueza, e a queixar-se imenso de dores de cabeça, chegando-me a contar na saída de um treino, um episódio, que na altura não valorizei muito, mas que depois, acabei por compreender.
Isidro Semblano virou-se para mim, e começou a descrever que tinha sonhado com a Guerra do Ultramar, e que parecia tudo tão real, que ele acordou com uma dor de cabeça, que ainda não tinha passado até aquela hora. Obviamente, achei que fosse qualquer coisa que tivesse a haver com o sonho.
Então chegamos na altura do primeiro grande “derby” vizinho, após 24 anos de interregno deste clássico, que tinha sido disputado pela última vez, em 1978: Fornelos vs Nespereira.
Nesse domingo, Isidro Semblano convocou toda a equipa para almoçar na Churrasqueira Faria, e eram 11h, estávamos almoçando e ouvindo o discurso incentivo do Presidente. Após o almoço dirigimo-nos para Macieira, para nos prepararmos para o jogo contra o Ac. Fornelos. Ainda esperávamos no “banco” sem a equipa se equipar, quando vimos o árbitro chegar junto com mais um elemento. O árbitro era jovem e chamava-se Nuno Ventura. Eu fui falar com ele, como delegado ao jogo, e então explicou-me que o seu outro auxiliar não podia ter ido, e assim seria decidido entre os delegados de jogo, quem iria ser o auxiliar. Eu já tinha em mente, o massagista do Nespereira FC, Armindo Ramalho, que já estava bastante habituado com a devida representação, e então decidimos que seria por cara ou coroa, sendo o Armindo Ramalho, o auxiliar.
O Fornelos marcou ainda na primeira parte, através de Sergito. Mas o jogo acabou sendo de uma imensa dureza, e até o público era duro com os jogadores. Num lance perto da linha lateral, entre Nuno Cardoso e Sergito, a mãe de Sergito fez um comentário nada agradável sobre a vida pessoal de Nuno Cardoso, demonstrando a que ponto chega a ignorância das pessoas no futebol, quando a mãe de Sergito é prima direita de Nuno Cardoso. Ao intervalo o Nespereira perdia 1-0 para o Ac. Fornelos. Na segunda parte, um senhor- dito distinto- de Vilar de Arca, que se comentava, era o grande investidor do Ac. Fornelos, resolve agredir Armindo Ramalho com um guarda-chuva, com este a exercer a função de auxiliar. Foi constatado e até o mesmo Armindo Ramalho, deu queixa do sucedido. No final, o Nespereira acabou perdendo por 1-0. Na entrada para os balneários, encontrava-se um pevidoso de boné e óculos, que se dirigiu a Nuno Cardoso e lhe disse:
- Para o ano jogas cá!
Mas Nuno, que sempre foi um jogador muito dedicado e fiel ao clube, nunca demonstrando sinais de mercenarismo algum, nem exigindo que o clube lhe pagasse algo, apenas respondeu:
- Nem morto jogo aqui!- terminando assim a abordagem que o pevidoso fez a sua pessoa.
Mas mesmo assim, o pevidoso continuou ali na entrada dos balneários, e, abordou o presidente e treinador do Nespereira FC, Isidro Semblano, provocando-o e agredindo verbalmente, com acusações sem nexo nenhum. Foi a única vez que vi, Isidro Semblano também ficar completamente irritado, parou na porta do balneário e começou a discutir com aquela triste figura. Aí, apareceu Hernâni que já tinha entrado, e eu, que estava chegando do balneário do árbitro, e interferimos, incentivando Isidro Semblano a entrar, mas com aquele irritante pevidoso sempre a agredir-nos verbalmente, perdi a paciência e dirigi-me a ele:
- Faz o favor de se calar? Acha que eu tenho medo de ti? Olha o que és, e olha para o que o Nespereira é!- entrando de seguida para o balneário, muito irritado com vontade de espancar aquela figura irritante.

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