O Nespereira, para a época 1998/99,perdeu
imensas figuras importantes: Nuno Carlos, Nuno Cardoso, Canário e Teles
(Cinfães); Pepe (juniores Cinfães); Fernando, Pereira e Nicho (Ac. Fornelos).
O treinador escolhido para orientar o
Nespereira FC foi o Prof. Diamantino, vindo de Arouca. Diamantino era uma
pessoa reservada, mas muito expressiva no que se referia a futebol, sendo bastante
impulsivo nos jogos. Era um treinador que dava muita importância ao aspecto
tático, sendo sempre visto nos treinos, com a sua prancheta, onde ele explicava
um por um, as funções que queria que cada jogador exercesse nas posições.
O Nespereira renovou o seu elenco, baixou o seu orçamento e acabou com os treinos de quinta-feira, pois
agora, a realidade era outra: 2ª Divisão Distrital.
O jogo de preparação do Nespereira FC foi
contra o GD Alvarenga. O “vizinho” Alvarenga foi convidado e aceitou o convite,
indo disputar um jogo amigável, que começou com um golo cedo de Luís Pinto, e
depois, um pênalti mal assinalado pelo assistente, levou o Nespereira a marcar
o 2-0. O jogo era arbitrado pelo saudoso Isidro Semblano. Após o intervalo, o
Nespereira ampliou a sua vantagem, e ganhava por 4-0, com o Alvarenga a reduzir
para 4-1. Mas, de repente, há um lance em que Isidro Semblano marca uma falta a
favor do Nespereira, e o jogador do Alvarenga não aceitou, indo encostar-se a
Isidro Semblano, insultando e depois, agredindo, acabando por Isidro Semblano
responder à agressão, surgindo ali o seu filho, Luís Semblano, que estava
jogando, que sem hesitação, foi defender o seu pai, e dando azo assim a uma
autêntica batalha campal que se passou ali, no que supostamente era para ser um
jogo amigável.
Durante essa época, foi de realçar a intensa
entrega dos jogadores da Vista Alegre, que fizeram uma época até estável.
O primeiro jogo dos seniores foi com o Castro
Daire, em casa. O jogo prometia ser de uma intensa virilidade, devido à alguns
incidentes passados a uns anos em Castro Daire. Mas muito pelo contrário, o
jogo acabou por ser de uma correcção por parte de ambas as equipas. Hernâni
Andrade apresentou a seguinte formação: Pedro; Rique, Ricardo Jorge, Bino,
Quim; Luciano, Ruizito, Luís Semblano, Vítor Andrade, Puck; Toninho Dias.
O Nespereira praticamente entrou a perder, com
Quim a conceder um penalti aos visitantes e com estes a converterem-no. A
defesa do Nespereira mostrava– se muito confusa e desorientada, concedendo
muitos espaços para as entradas dos avançados castrenses. Mas, Vítor Andrade,
num pontapé de canto, marca o golo do empate para o Nespereira.
Mesmo assim, não teve muito tempo para
festejar, pois o Castro Daire, logo de seguida, marcou o 1-2, aproveitando– se
dos espaços de Ricardo Jorge e da atrapalhação de Bino. O Nespereira não
conseguia fazer o seu jogo, pois o adversário jogava pelo ar, praticando um
futebol feio e fazendo o Nespereira pratica– lo também. Ao intervalo o
Nespereira perdia por 1-2.
Na segunda parte, o Nespereira mostrou– se
mais ofensivo, aproveitando a velocidade de Ruizito e a imaginação de Luís
Semblano e Vítor Andrade. Nessa altura dá– se a entrada de Hernâni . E foi da
sua cabeça, num pontapé de canto, que surgiu o golo do empate do Nespereira.
Numa confusão, o Nespereira acaba por marcar -apesar de contestado pelos
visitantes que alegaram que a bola não teria ultrapassado totalmente a linha de
golo. E naturalmente, através de uma jogada entre Ruizito e Luís Semblano, o
Nespereira beneficiou de uma grande penalidade. Luís Semblano foi chamado a
marcar e marcou, virando o resultado para 3-2. O Nespereira ainda beneficiou de
mais uma grande penalidade sobre Ruizito, mas que Luís Semblano permitiu a
Salazar defender.
Há um jogo que não se esquece, que foi o jogo
em casa com o S. João da Pesqueira.
Lembro-me de, como habitualmente fazia, ter-me
dirigido ao Café Barra Azul para passar o tempo, encontrando com o Filipe
Fonseca, que jogava no Nespereira FC, naquela altura. Então perguntei-lhe qual
seria o “onze” contra o S.João da Pesqueira, com ele me explicando que iria
jogar Varito, Nelo Rambana, Toninho Mainça, entre outros.
Depois, me desloquei para o campo de futebol,
onde iria haver baile! Lá vi os jogadores que o Filipe tinha dito que iriam ser
titulares, a se divertirem nas “noitadas” dos bailes. Todos sabiam que Hernâni
era uma pessoa muito exigente e disciplinado, e que tinha avisado que não
queria o pessoal em noitadas, antes dos jogos. De repente, perto das 2h da
manhã aparece no salão do baile, o Presidente do Clube, vestido com um
sobretudo, e com as mãos nos bolsos, exibindo um sorriso maroto, e silencioso.
Entrou, olhou e depois se retirou sem dizer nada.
Só sei dizer, que no dia seguinte, da equipa
que o Filipe Fonseca tinha me dito que ia ser, os titulares “bailantes” ficaram
no “banco” de suplentes, apresentou a seguinte equipa: Carlos; Ricardo Jorge,
Ricardo, Hernâni, Jorge Pereira; Quim, Filipe Fonseca, Vítor Andrade, Paulo,
Ruizito; Luciano.
Com esta equipa o Nespereira surpreendeu a
massa associativa, que contava com um meio campo completamente diferente.
Mas a equipa começou muito confusa. O S.J.
Pesqueira aproveitou– se e marcou logo de rajada o 0-1, com algumas dúvidas se
o avançado pesqueirense estaria em fora de jogo no momento do passe. O
Nespereira tentou reagir, mas a confusão era muita no último terço de terreno,
com Ruizito a tentar empurrar o S.J.Pesqueira. E enquanto procurávamos o
empate, o S.J.Pesqueira é que marcava. Uma tentativa de passe de calcanhar de
Hernâni, na nossa defesa, entrega a bola ao adversário que bate Carlos, num
remate de belo efeito. O Nespereira não desistia, e ainda levou a bola a
“beijar” a barra da equipa adversária, por duas vezes: uma num livre de Filipe
Fonseca, outra por Luciano. Ao intervalo, o Nespereira perdia por 0-2.
Na segunda parte, o Nespereira entrou a
sufocar, mas quase que o S.J. Pesqueira marca, já com Carlos ultrapassado e
Hernâni em cima da linha a evitar o golo. Pouco depois, Ruizito é derrubado
dentro da grande área e é assinalado a penalidade. Vítor Andrade, marca e
permite a defesa ao guarda redes visitante. Mas o 1-2 chegou numa confusão
dentro da grande área, onde a bola é rematada contra diversos adversários,
surgindo Ruizito na boca da baliza a finalizar. Pouco tempo depois, Luciano é
derrubado (?) dentro da grande área, e é assinalado o penalty. Ruizito marcou e
não falhou. Era o 2-2. Faltavam 20 minutos para o fim. E quando a tendência era
o do 3-2, chegou um balde de água fria. Um centro remate a que Carlos não
conseguiu defender correctamente dá aos visitantes o 2-3. Mas mesmo em
desvantagem, o Nespereira não baixou os braços e empurrou o São João para a sua
defesa. Até que no último suspiro, Filipe Fonseca consegue igualar a partida,
fazendo o 3-3, na sequência de um pontapé de canto. Um jogo de heróis, com
sangue, suor e lágrimas… mas que apenas nos valeram um pontinho.
O Nespereira terminou esta época em 7º lugar.
No final, foi a despedida de Luís Semblano, que saiu do Nespereira para fazer
uma experiência no Gondomar, que disputava a 2ª Divisão B, mas acabou por jogar
no Pedrouços, da AF do Porto, que disputava a 3ª Divisão Nacional.
Sem comentários:
Enviar um comentário