Outro jogo desta época, que me marcou, mas por
uma situação mais hilariante, foi a deslocação à Moimenta da Beira, na
penúltima jornada.
O Tarouquense lutava pelo 1º lugar,
renhidamente com o Moimenta da Beira, e o Tarouquense só necessitava de ganhar
o seu jogo, e que o Moimenta não ganhasse o jogo contra o Nespereira.
Íamos para Moimenta da Beira, no
mini-autocarro, conduzido pelo presidente Isidro Semblano, atravessando a serra
enevoada, até que chegamos ao estádio municipal do Moimenta da Beira. Os
jogadores desceram primeiramente, e se dirigiram para os balneários, seguindo
os dirigentes, e então, um diretor do Moimenta da Beira, se dirigiu ao Sr.
Isidro Semblano, trazendo uma carteira de cheques e uma caneta e dizendo isto,
mesmo antes de dizer “Boa tarde”:
- Quanto o Tarouquense vos pagou para vocês
nos ganharem? Nós damos o dobro!
O semblante calmo do Sr. Isidro não afetou em
nada, e este, somente respondeu para o diretor:
- Não se preocupe...vimos aqui para jogar!
Obviamente vamos tentar vencer!- cortando a conversa, e dirigindo-se rapidamente
para o balneário!
Chegando ao balneário, após a palestra de
Vítor Andrade aos jogadores, Isidro Semblano comentou a situação com os
presentes, que não se mostraram muito espantados com a dita proposta, mas com
Vítor Andrade a responder prontamente:
- Nem pensar! Nós vimos aqui para ganhar!
E, não ganhamos aquele jogo, porque fomos
muito ineficazes no ataque, mas muito seguros na defesa, com Jorge Ramalho a
fazer uma exibição fantástica, que o Nespereira perdeu apenas por 1-0, por um
pênalti assinalado a Hernâni.
O jogo contra o Castro Daire, em Castro Daire,
também é memorável, pelo resultado inesperado que o Nespereira conseguiu, num
campo considerado muito difícil por todos os adversários, até porque é um campo
de extensões imensas. Ficou marcada pela chamada de Pira, para ocupar a posição
de lateral-esquerdo. O Nespereira conseguiu arrancar uma vitória fantástica por
2-1, marcando Vítor Andrade o 1-0, de falta, com o Castro Daire a empatar já na
segunda parte, e depois, Celso, num rápido contra-ataque conseguiu fazer o
Nespereira vencer o jogo, que foi assistido por dois ex-treinadores do
Nespereira: Mário João (1994-96) e Cigano (1997).
Pela negativa também fica o jogo em casa, contra
os Unidos de Resende/97, em que, o Nespereira está a ganhar por 4-1, ao
intervalo, com golos de Mainça, Puck, Carlitos e Celso, mas na segunda parte,
fraquejou e deixou fugir a vitória, permitindo que os Unidos de Resende
empatassem o jogo, que acabou em 4-4.
Há detalhes muito engraçados da passagem de
Vítor Andrade como treinador do Nespereira, como, ele a anunciar o “onze”
inicial no quadro, e depois chamaram-lhe a atenção que ele tinha escrito ali
doze jogadores, provocando o riso entre os atletas e ele mesmo. A confiança de Pepe de que ia jogar,e
discutia com Sérgio Silva, que queria usar a camisa nº10, e depois acabou por
ficar no “banco” de suplentes. Outro episódio caricato, foi numa ida a
Sernancelhe, em que a caminho, paramos em Parada de Ester, para almoçarmos no
restaurante do Sr. Urbano. O Sr. Isidro tinha encomendado lá o almoço, e,
perguntou antecipadamente ao Vítor Andrade, o que queria que os jogadores
almoçassem. Então, Vítor pediu que encomendasse spaghetti cozido e bifes
grelhados, com salada. O Sr. Isidro encomendou isso, e, chegando lá, o Sr.
Isidro pediu para os dirigentes, vitela assada com batata, arroz e salada. A
acompanhar-nos ia o Sr. Carlos Duarte e Nelson Valente, que foram peregrinos de
todas as saídas do Nespereira. Então, quando começaram a aparecer as travessas de comida, Hernâni
Andrade, com seu jeito muito brincalhão, e fruto da sua característica de ser
um “excelente garfo”, saiu de perto dos jogadores, e em tom jocoso, disse que
também era diretor- e na verdade, era. Era Vice-Presidente!- e se aproximou das
travessas de carne assada, não deixando o seu irmão, Vítor muito satisfeito com
esta atitude.
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