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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A LUTA PELO SERGITO, O REGRESSO DO GIGANTE MOUTA PINTO, "SERÁ DA VELHICE?", E A QUASE SUBIDA!



Após uma época  que o Nespereira conseguiu subir novamente na tabela, acabando em7º lugar, com Carlitos se revelando como o goleador da equipa, com 8 golos na época, seguido de Mainça, com 7.
Na transição da época 2000/01 para a época 2001/02, o Ac. Fornelos tinha entrado em competição, só que estava na 3ª Divisão Distrital, e tentavca angariar jogadores para o seu plantel. Havia um jogador muito virtuoso em Nespereira, oriundo de Fornelos, chamado Sergito. Sergito estava a chegar à idade dos seniores, era um jogador muito veloz e muito raçudo. Jogava cada jogo como se fosse o último!
Claramente, o Ac. Fornelos aliciou-o, e ele naturalmente aceitou, mas... ele precisava da carta de liberação do Nespereira FC. Na altura, o Ac. Fornelos não se deu ao trabalho de mandar um ofício a pedir a carta para o Nespereira, deixando esse trabalho ao serviço do próprio jogador. Isso, em certa parte, indignou o Sr. Isidro Semblano, e, ele com toda a astúcia dele e perspicácia, recusou dar essa mesma carta ao jogador, até porque o Nespereira FC é que havia formado Sergito, desde pequeno. Fruto também da rivalidade secular, existente entre os clubes vizinhos, começaram uma troca de acusações, entre alguns dirigentes do Ac. Fornelos e o Sr. Isidro Semblano.
Sabendo que a lei favoreceria o Nespereira, Isidro Semblano entendeu nunca levar isto como questão pessoal, mas sim como uma questão de defesa dos interesses do clube. Então, Isidro Semblano- e a Direção do Nespereira também!-tomou a decisão de apenas liberar Sergito, se o Ac. Fornelos pagasse o valor estipulado por lei, segundo a FPF, por causa de o Nespereira FC ter formado o jogador.
Alguns dirigentes do Ac. Fornelos não aceitaram bem esta decisão firme do Nespereira FC, e então, num domingo, perto da capela de S.Brás,já em horário de missa, um dos dirigentes do Ac. Fornelos  se dirigiu ao Sr. Isidro Semblano, e após uma breve troca de palavras, e acusações que o dirigente do Ac. Fornelos fez, este agrediu fisicamente o Sr. Isidro Semblano, na porta da capela.
Esta situação indignou não só a Direção da altura, como uma parte da população nespereirense. O Nespereira FC emitiu um comunicado público, redigido por Cláudio Oliveira, em que se condenava completamente a atitude inconsciente e violenta do dirigente do Ac. Fornelos.
Isidro Semblano- no meu ponto de vista, como diretor- estava defendendo os interesses do clube, não querendo abrir mão de um jogador que foi formado pelo Nespereira FC, e que poderia ser um potencial craque para o plantel, assim de mão beijada, ainda por cima, para uma equipa rival. Mas muitos nespereirenses não conseguiam ver por esse prisma, e acreditavam que isto seria uma birrice de Isidro Semblano em relação ao Ac. Fornelos, entendendo que o clube deveria liberar o jogador sem quaisquer custos para o Ac. Fornelos. No final, o Ac. Fornelos acabou por pagar o valor estipulado por lei, e ficou com o Sergito, no seu plantel.
Para a época seguinte, Isidro Semblano foi reeleito para o seu terceiro mandato como Presidente do Nespereira FC. Nessa época, de maneira simples, ele resolveu chamar para treinador do Nespereira FC, um ex- jogador do Nespereira FC, muito idolatrado pelos adeptos do clube, que era conhecido pela sua imensa força, e poder de finalização, na década de 90: Mouta Pinto! Mouta Pinto estava treinando a equipa de juniores do Cinfães, e se não me engano, treinou a equipa que esteve disputando o Campeonato de Juniores  Nacional.  Era uma pessoa que sabia impor respeito, embora também fosse muito brincalhão. E sentia o jogo! Para ele cada jogo, era como se fosse o último! Entusiasmava-se e passava esse entusiasmo para os jogadores!
Nessa época, o Nespereira fez a sua melhor época de sempre, apenas batida pela época em que subiu da 2ª Divisão Distrital, para a 1ª em 1994/95. Os números dizem tudo: 15 vitórias, 6 empates, e 5 derrotas, com 63 golos marcados (segunda melhor marca de sempre) e 37 golos sofridos.
Jogos que se recordam bem, foi uma deslocação do Moimenta da Beira ao Olival, que o Moimenta da Beira viria para lutar para a subida. Na altura, quatro equipas estavam no topo da tabela, lutando pela subida (Castro Daire, Lamelas, Sernancelhe e Moimenta da Beira). Este jogo foi muito importante para relançar o Nespereira FC, na luta pela possibilidade da subida. Influenciados por uma época fenomenal que o Sporting CP fez na época passada, e que fora campeão, que jogava João Pinto, Jardel, Hugo Viana, Jardel sempre que marcava um golo, levantava a camisola com os dizeres: “Será do Guaraná?”. Então, por influência do Cláudio Oliveira, pois a idéia partiu mesmo dele, este pediu se eu não faria umas camisetas com uns dizeres jocosos. Recordo-me que fiz quatro camisolas, uma para o Hernâni, que dizia “Será da velhice?”, pois Hernâni era o “capitão” da equipa e o mais velho dos jogadores; outra para o Pepe, dizendo “Será das noitadas?”, porque Pepe era uma pessoa muito boémia, e adepto de noitadas; e as outras duas camisolas já não me lembro para quem foram, nem os dizeres. Estas duas eu me recordo, porque, o Nespereira ganhou 4-0 ao Moimenta da Beira, e Hernâni marcou um golaço de cabeça, e Pepe também marcou, com os dois a festejarem, mostrando as camisolas com os dizeres, provocando o riso no público.
No último jogo, o Nespereira  se deslocou a São Martinho de Mouros, em Resende, para defrontar a equipa local, e apenas necessitava de ganhar o jogo para subir de divisão. O Nespereira adiantou-se, e estava ganhando por 2-1, quando o “capitão” do São Martinho de Mouros se dirigiu ao Sr. Isidro Semblano, ao intervalo, e disse:
- Se vocês nos pagarem 350 contos, nós vos deixamos ganhar o jogo!
Mas o Sr. Isidro Semblano, não sei se terá sido por confiança, ou mesmo por ética, respondeu-lhe negativamente.  Na 2ª parte, o Nespereira acabou perdendo o jogo por 4-2, acabando em 4º lugar, frustrando assim o sonho de subir de divisão.
Nessa época também, quem subiu de divisão, da 3ª para a 2ª foi o Ac. Fornelos, que na próxima época já iria disputar o campeonato connosco, prevendo-se assim o retorno dos “derbys” vizinhos.

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