Voltando ao futebol, na época seguinte
(1997/98), Hernâni Andrade voltou a ser eleito Presidente, mas deu conta que, o
orçamento do Nespereira era muito baixo, e não conseguiria agüentar as
exigências de alguns jogadores, que participaram na época transata, perdendo assim
jogadores muito influentes como o Celso, Paulo Moura, entre outros. De fora
apenas ficaram Canário, Teles e Skif, tendo Hernâni Andrade assumido que ia
tentar fazer uma equipa com a “prata da casa”, indo buscar jogadores
nespereirenses como Nelo Puck, Henrique Jorge (que voltou após ter sido
dispensado pelo treinador Cabral), e um jovem virtuoso, de pés tortos,
conhecido pela disposição e velocidade chamado Toninho “Mainça”.
Então, Hernâni contratou um treinador
conhecido por “Cigano”. “Cigano” era um treinador muito silencioso, tendo uma
metodologia de treino desadequada para o campeonato que o Nespereira praticava,
e, desde cedo conquistou a desconfiança e a antipatia dos jogadores. O seu
extremo silêncio durante os treinos, e a distância com que se relacionava das
pessoas, não o ajudou muito.
O Nespereira FC parecia uma equipa muito
inexperiente, disputando a 1ª Divisão Distrital, e logo no primeiro jogo, que
disputou em casa, contra o Vouzelenses, o Nespereira perdeu 4-0. O ínicio da
temporada não foi nada bom, e a virtual ausência de “Cigano”, era tal, que após
cinco jogos, a Direção, após uma reunião com os jogadores, decidiram dispensar
o treinador.
Então, aí Hernâni Andrade resolveu recorrer ao
treinador dos juniores do Nespereira, na altura, Isidro Semblano.
Isidro Semblano pegou numa equipa em
decadência, em que os jogadores “estrangeiros” eram muito criticados, mesmo no
seio do balneário, que se vivia uma rivalidade entre, aquilo que os próprios
jogadores chamavam de “os do Maninho contra o resto”. “Os do Maninho” como se
referiam, eram os jogadores oriundos da Vista Alegre. A Vista Alegre era uma
fonte de excelentes jogadores, todos muito rápidos e tecnicamente evoluídos,
casos de Varito, Ruizito, Nandito, China, Toninho Mainça, Henrique Jorge,
Rique, Nelo Rambana, Paulo e Tonito.Não querendo generalizar, uma parte deste
grupo de jogadores, eram muito geniosos e críticos, em relação às opções dos
treinadores, não aceitando muito bem o “banco” de suplentes, embora fossem
sempre muito preponderantes para o bem-estar do plantel.
Um jogo que não sei definir, se é para
recordar, ou se é para esquecer, foi o “derby” no Olival, com o Souselo. A
rivalidade entre as duas equipas é muito antiga!
Nessa altura, o Nespereira atravessava uma
época muito fraca, e necessitava urgentemente de uma vitória, principalmente
num “derby” para reanimar a equipa.
Então o Nespereira cilindrou completamente o
Souselo, que parecia perdido, e a meio da 2ª parte, vencia por 2-0. Num lance
rápido, o Nespereira marcou o 3-0, ouvindo-se os festejos efusivos na bancada
de sócios de Carlos Valente, um adepto fervoroso do Nespereira FC. Mas,
infelizmente, aquele terceiro golo do Nespereira proporcionou a ele a última
alegria que teve na vida! Pois, naquele momento de alegria, Carlos Valente teve
um enfarte fulminante, que ainda foi socorrido por Domingos Andrade, mas o seu
socorro não bastou, falecendo assim num jogo do Nespereira FC contra o
Souselo. O Nespereira ainda marcou mais
um golo, mas naquele jogo, nem o quarto golo foi festejado pelos adeptos
nespereirenses, que apenas choravam o enfarte de Carlos Valente.
Esta época foi para esquecer! O Nespereira não
conseguia resultados relevantes, e assim chegou ao último jogo, no Olival,
contra o Tabuaço, precisando de vencer o jogo para passar o Tabuaço na
classificação, e sair da linha d’água, para garantir a manutenção.
Recordo-me de que, ainda na primeira parte, o
Nespereira marcou o 1-0, através de um golo de Fernando, e depois “murchou”.
Ainda conseguiu dar luta, na 2ª parte, agüentando a pressão do Tabuaço, com o
público efusivamente a tentar incentivar a equipa.
Falando em público, nesse mesmo jogo, há um
lance que a bola sai das quatro linhas, o adepto Júlio Soares pega na bola, e
se recusou a entregar a bola ao jogador, abraçando carinhosamente a bola, e
aconselhando cinicamente calma ao lateral esquerdo do Tabuaço, que se dirigia
para o árbitro informando-o da situação. O árbitro dirige-se ao “banco” e pediu
uma nova bola. Então ali, “queimou-se” algum tempo, e o lateral dos visitantes
não estava satisfeito com os comentários engraçadinhos dos adeptos nespereirenses,
e quando a bola solicitada chegou ao jogador do Tabuaço, Júlio Soares resolveu
entregar a bola que tinha contido. Mas, o jogador do Tabuaço explodiu, e quando
Júlio atira a bola para perto dele, ele impulsivamente chutou a bola
propositadamente contra o público, gerando uma pequena revolta ali. Para piorar
a situação, o Tabuaço empatou, aumentando a ira do público. No final, o
Nespereira empatou, resultado que não servia para garantir a manutenção, e
vimos os jogadores como Canário, Nuno Carlos e Ruizito, completamente
consternados, com esta situação, descendo de divisão, para a 2ª Divisão
Distrital.
No final da época, ouviam-se boatos de que
Hernâni Andrade abandonaria a presidência do clube após a sua descida, não se
sucedendo conforme o que se constava. Pois, Hêrnani Andrade assumiu a
presidência por mais um ano.
Ainda surgiu a possibilidade do Nespereira FC
ficar na 1ª Divisão Distrital, se, o Tabuaço se inscrevesse, mas desistisse de
participar no campeonato. Mas isso não aconteceu, pois o Tabuaço não se
inscreveu na AF Viseu, dando lugar a uma outra equipa da 2ª Divisão Distrital
que subiu para ocupar o lugar do Tabuaço.
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