Na época de 1994/95, com a indisponibilidade
de se poder inscrever alguns dos jogadores que foram acima referenciados, a
equipa voltou à antiga base dos juvenis.
Então, tivemos o primeiro jogo num campo
relvado, que foi em Lamego, contra o Sp. Lamego, no estádio local. Chovia
imenso, o campo estava todo empapado, e quem nos orientou naquele jogo, foi o
treinador dos seniores, Mário João.
Com aquela chuva imparavel, o Nespereira
chegou ao intervalo perdendo por 8-0, num jogo em que fazia-se um “carrinho”
para chegar à bola, e o jogador ia parar só nas grades, ou muros que limitavam
o terreno de jogo. E recordo-me de um golo, marcado pelo avançado do Sp.
Lamego, em que ele pega a bola no meio-campo, passa pelo Filipe, passa pelo
Nuno, passou pelo Bateira, e depois pelo Nuno Carlos, e ainda passou pelo
Pedro, marcando um golo fabuloso, fruto da nossa inexperiência em relvado.
Enquanto o jogo decorria dentro de campo, o treinador Mário João apenas abanava
a cabeça negativamente, e já resignado, olhou para o “banco”, viu as opções que
tinha, e muito seriamente perguntou para nós todos:
- Há alguém aqui que saiba jogar à bola?
O Helder “Raposo” muito solicito, saltou do
banco, levantando o braço, e dizendo entusiasticamente:
-Eu!Eu!Eu!
Aí, o Mário João, muito calmamente respondeu
para ele:
- Então senta-te, que eu já vi, que não tenho
ninguém para substituir!- provocando uma onda de gargalhadas no “banco”, pela
cara de espanto que o próprio Helder ficou com a resposta do Mário João.
Outra das recordações que guardo desse jogo,
foi de que, sendo o primeiro jogo num relvado, o entusiasmo era tal, que o
próprio “banco” não conseguia ficar quieto, e o Carlos “Lobo” e o Vítor
Semblano brincavam ao lado, feito crianças, atirando-se para o relvado,
escorregando naquele piso, passando completamente ao lado do jogo.
O final do jogo foi um 10-0, que não vou dizer
que teria sido humilhante, mas foi uma lição de maturidade, que nos mostrou que
nós precisávamos de empenhar mais para atingirmos objetivos maiores.
Outro dos jogos dessa época que e ficaram
marcados, foi um em Resende, que acabou sendo histórico, foi o de Resende.
Para essa recordação, transcrevo um artigo que
o atual capitão do Nespereira FC, Nuno Cardoso, escreveu para um jornal, que se
falará mais para a frente, sobre esse jogo em Resende, que o Nespereira esteve
perdendo, e acabou ganhando por 8-4, na casa do adversário:
“Pediram– me para falar sobre um dos jogos
mais marcantes na minha carreira de futebolista, e eu aqui estou para o contar.
Mas não vou descrever com floreados, mas sim como aconteceu de verdade, para
que sirva de exemplo para aqueles que não têm fé e que podem conseguir coisas
fabulosas.
Então começa assim: houve em tempos, uma
equipa do Nespereira F.C., das camadas jovens, mais propriamente dos juniores,
que praticava um futebol espectáculo, de encher o olho como se costuma dizer.
Essa equipa foi fazer um jogo a Resende com a equipa local. Nesse jogo a
partida estava a ser bem disputada, mas desde cedo, a equipa da casa começou a
ser bem mais perigosa do que a nossa e sem surpresas chegou ao golo. O pior não
foi o golo, mas sim o segundo golo momentos depois. Para agravar a situação, o
guardião Pedro Semblano foi expulso, antes do intervalo. Como nós nesse ano já
estávamos habituados a começar o jogo a perder não ficamos surpreendidos. E com
menos um jogador, ainda antes do intervalo, conseguimos chegar ao empate por
duas bolas.
Começou a segunda parte e o Resende voltou a
adiantar– se no marcador, para 3-2. Nós voltamos a empatar 3-3, pouco depois.
Para desespero nosso eles voltam a marcar e o resultado passa para 4-3. Nós
nunca desistimos da luta, e fomos a melhor equipa em todos os campos que
jogamos e, para que a história não fosse diferente, nem a nossa mentalidade o
era, fomos em busca da vitória. E lá conseguimos o empate 4-4, logo a seguir
fizemos o 4-5, e sucessivamente até atingirmos o final com um 4-8 a nosso
favor. Um resultado para a história do meu clube de sempre– NESPEREIRA FUTEBOL
CLUBE!- (nunca se esqueçam deste nome, principalmente os mais novos que são o
futuro do mesmo).
Chegamos nesse ano a fase final do Camp. Dist.
De Viseu, pela segunda época consecutiva, sem derrotas. Marcamos 99 golos,
ganhamos 7-1 ao primeiro classificado e ficamos em segundo no campeonato devido
alguns empates.
Mas o mais importante disto tudo, é que fomos
durante umas épocas uma família onde fomos unidos e caminhamos no mesmo sentido
para ajudar o Nespereira F.C. a ser respeitado no distrito de Viseu.
A conclusão que eu quero que se perceba desta
história veridica , é de que nunca desistam do vosso objectivo, mesmo com as
condicionantes que se sobrepõem. E aos meus colegas de futebol, para nunca se
esquecerem de dar tudo o que têm pelo vosso/nosso clube. Queria agradecer ao
falecido senhor Isidro Semblano por tudo que me ensinou e também aos meus
colegas de sempre: Pedro Semblano, Márcio Correia, Nuno Carlos, Luís Semblano,
Filipe, Nandito, Ruizito, Mário “Nicho”, Mota, Bateira, Simão, Manel
“Batoques”, Ercílio, Rogério, Pedro “Cangalhas”, Kosta, “Xaqueca”, Vítor
“Lobo”, Sérgio (Cinfães), Renato, Nuno Semblano, Hélder “Raposinho”, e aqueles
que me esqueci de mencionar. Foi o maior prazer de sempre fazer parte desta
equipa fantásticada qual eu apelidei “Os Invencíveis”.
Aos companheiros de agora, que sejam sempre
felizes neste clube. “
Esta, considero uma das melhores descrições do
que era a equipa dos júniores do Nespereira, naquela época, feitas pelo
“capitão” Nuno Cardoso.
Nessa mesma época que demonstramos aqui, uma
oscilação grande de opostos, ainda podemos dizer que o Nespereira, nessa época
ficou em 2º lugar, classificando-se pela primeira vez para a fase de
qualificação para a Divisão Nacional, num jogo em Sernancelhe, em que vencemos,
e saímos de lá festejando entusiasticamente essa qualificação, e, mesmo assim a
equipa da casa, de Sernancelhe, com um mau perder, acabou por resolver tentar
agredir e estragar a nossa festa, atirando garrafas de cerveja para dentro dos
balneários, que até, o Renato e o Mário, estavam tomando banho, e tiveram que
sair dele, na ponta dos pés, porque no chão se encontravam vidros espalhados
das garrafas, e também da janela partida pelos adeptos,ou jogadores do
Sernancelhe.
Essa fase, era disputada por seis equipas, e
apenas o primeiro classificado do grupo iria ascender à Divisão Nacional. Não
nos correu muito bem essa fase, em que lutávamos muito para conseguirmos
agüentar a pressão de equipas mais bem preparadas, com melhores condições de
trabalho, e também com a simpatia da arbitragem.
Mas há um jogo que até hoje sorrio ao me
lembrar dele...a nossa deslocação à Repeses, para jogarmos com o Repesenses-
que na altura, era financiada pelo antigo “internacional” português, que na
altura jogava no Sporting CP, Paulo Sousa.
Saímos muito cedo, no autocarro da “Asadouro”,
levando connosco um “reforço”, que era o Vítor Kosta, que o Sr. Isidro decidiu
levar para fortalecer o nosso ataque, visto que naquele jogo, o “Nicho” estava
castigado.
Então entramos em campo, e muito cedo,
marcamos o primeiro golo, com um golo do Kosta, que ficou tão entusiasmado, que
festejou aquele golo com tanta raiva, que correu para os seus colegas de equipa
gritando efusivamente:
- Caraças! Vamos lá pessoal Vamos ganhar isto!
Ó! Quem nos dera!!! Aquilo foi apenas um
pequeno gostinho...porque o Repesenses massacrou-nos depois, vencendo-nos por
13-1.
Depois
chegamos, de noitinha, à Nespereira, e lembro-me de passarmos perto do Café
“Barra Azul”, onde se juntava toda a juventude nespereirense, que aguardava por
saber o resultado, e, os que estavam no café, levantavam o polegar para nós,
para tentar saber se tínhamos ganho o jogo, e nós, levantamos também, em tom de
cinismo, como se tivéssemos ganho. O Pedro, com aquele jeito entusiasmado dele,
olhava a cena e fazia um comentário dizendo-nos:
- Olha o pessoal...eles estão perguntando-nos
se nós ganhamos!
O Kosta, meio desiludido, e irritado com a
derrota, e com o comentário, no seu tom sério e impávido, respondeu ao Pedro:
- Ganhamos! Ganhamos sim!Ganhamos...mas foi
juízo!
Nessa época, a equipa dos juniores sofreu uma
perda terrível de jogadores, mas que com felicidade continuaram no Nespereira,
sendo o caso do Nandito, do Ruizito, do Luís Semblano, do Pedro Semblano, do
Mário “Nicho”.
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