Nessa mesma época, de 94/95, presidida
pelo “excêntrico” presidente Daniel Bastos, o dono da Escola de Condução, a
equipa dos seniores do Nespereira FC, estava apostada em subir para a 1ª
Divisão Distrital, tendo um leque de jogadores fenomenais, como Marcelo, Da
Rosa, Skif, Luís Pinto, Hernâni, João Bernardo, Varito, Vítor Andrade,Mouta
Pinto, entre outros, orientados pelo “bravo” treinador Mário João, que tinha
vindo do Boavista FC, que na altura disputava a 1ª Divisão Nacional.
Falando do presidente Daniel Bastos, há um
episódio dele, que o torna imortal, nos compêndios do Nespereira FC. Num jogo
do Nespereira, o árbitro marca um pênalti a nosso favor, e obviamente todos
ficamos satisfeitos, mas notamos uma serenidade meio curiosa, no rosto do
presidente, que na altura olha, para o Mário João, e pergunta-lhe:
- O árbitro marca falta, e porquê é que o
guarda-redes não mandou fazer barreira?
O Mário João riu-se na altura, mas
explicou-lhe a diferença entre um pênalti e uma falta, com o presidente a
entender, mas este episódio acabou por ficar eternamente ligado a pessoa de
Daniel Bastos.
Já sobre Mário João, esse era um treinador das
camadas jovens do Boavista FC, de origem africana, que foi trazido para o
Nespereira pelo vice-presidente da altura, Hernâni Andrade e pelo diretor
Cláudio Oliveira. Mário João era uma pessoa muito boémia, e muito sociável,
gostando imenso de conviver com os jogadores e com os dirigentes. Era um
incentivador para todos os jovens, e gostava imenso de ver os treinos cheios de
gente. Só que, em dia de jogos ele virava um autêntico “bicho”! Perdia
facilmente as estribeiras, xingava efusivamente os seus próprios jogadores,
fosse quem fosse, se fizesse algo que ele considerasse errado! Taticamente era
muito inteligente, e sabia aproveitar bem as capacidades de cada um. Ele mesmo
dizia: “Nós não precisamos ter apenas onze jogadores, precisamos ter uma equipa
inteira”.
Recordo-me que ele chamou o Mário “Nicho” para
jogar, e o “Nicho” estava no banco, quando na segunda parte, ele manda-o aquecer,
e depois de entrar o Mário começa a dar mais ênfase ao ataque, mas como era
habitual da idade, qualquer “toquezinho” faz logo um jogador cair...aí, o Mário
numa disputa com um adversário, caiu, e começou a se queixar, quando se
levantou em pé coxinho, e deslocou-se na direção do “banco” de suplentes,
solicitando ao treinador:
- “Mister”! “Mister”! Dá-me gelo que estou
lesionado!
O Mário João franziu o sobrolho, olhou
diretamente para o “Nicho”, e cortando alguns pequenos “elogios”
característicos do Mário João, ele deu um berro típico que ecoava no campo do
Olival inteiro, dizendo:
- Seu...! Volta mais é para o campo! Vai
jogar! Deixa-te de mariquices!
E recordo-me que o “Nicho” arregalou os olhos,
espantado com a reação do treinador, e, voltou as costas ao “banco”, franzindo
também o sobrolho, e baixando a cabeça, voltando novamente ao jogo, esquecendo
da lesão que tinha tido!
Nessa época, o Nespereira acabou em 1º lugar
da Zona Norte, disputando o titulo de campeão com o Parada de Gonta. Primeiro,
o Nespereira jogou em casa, contra o Parada de Gonta, num jogo com muita chuva,
e com o terreno todo empapado, em que o Nespereira venceu por 1-0, graças a um
remate cruzado na entrada da área, do Quim.
Na segunda mão, em Parada de Gonta, o
Nespereira perdeu por 3-0, mas acontecendo uma situação insólita, que foi, a de
que, quando a equipa do Nespereira chegou à Parada de Gonta, para disputar o
jogo, deram conta de que, faltava o equipamento do Nespereira, e então naquele
jogo, o Nespereira viu-se obrigado a jogar com o equipamento alternativo do
Parada de Gonta.
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