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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A PRESIDÊNCIA DO EXCÊNTRICO BASTOS



Nessa mesma época, de 94/95, presidida pelo “excêntrico” presidente Daniel Bastos, o dono da Escola de Condução, a equipa dos seniores do Nespereira FC, estava apostada em subir para a 1ª Divisão Distrital, tendo um leque de jogadores fenomenais, como Marcelo, Da Rosa, Skif, Luís Pinto, Hernâni, João Bernardo, Varito, Vítor Andrade,Mouta Pinto, entre outros, orientados pelo “bravo” treinador Mário João, que tinha vindo do Boavista FC, que na altura disputava a 1ª Divisão Nacional.
Falando do presidente Daniel Bastos, há um episódio dele, que o torna imortal, nos compêndios do Nespereira FC. Num jogo do Nespereira, o árbitro marca um pênalti a nosso favor, e obviamente todos ficamos satisfeitos, mas notamos uma serenidade meio curiosa, no rosto do presidente, que na altura olha, para o Mário João, e pergunta-lhe:
- O árbitro marca falta, e porquê é que o guarda-redes não mandou fazer barreira?
O Mário João riu-se na altura, mas explicou-lhe a diferença entre um pênalti e uma falta, com o presidente a entender, mas este episódio acabou por ficar eternamente ligado a pessoa de Daniel Bastos.
Já sobre Mário João, esse era um treinador das camadas jovens do Boavista FC, de origem africana, que foi trazido para o Nespereira pelo vice-presidente da altura, Hernâni Andrade e pelo diretor Cláudio Oliveira. Mário João era uma pessoa muito boémia, e muito sociável, gostando imenso de conviver com os jogadores e com os dirigentes. Era um incentivador para todos os jovens, e gostava imenso de ver os treinos cheios de gente. Só que, em dia de jogos ele virava um autêntico “bicho”! Perdia facilmente as estribeiras, xingava efusivamente os seus próprios jogadores, fosse quem fosse, se fizesse algo que ele considerasse errado! Taticamente era muito inteligente, e sabia aproveitar bem as capacidades de cada um. Ele mesmo dizia: “Nós não precisamos ter apenas onze jogadores, precisamos ter uma equipa inteira”.
Recordo-me que ele chamou o Mário “Nicho” para jogar, e o “Nicho” estava no banco, quando na segunda parte, ele manda-o aquecer, e depois de entrar o Mário começa a dar mais ênfase ao ataque, mas como era habitual da idade, qualquer “toquezinho” faz logo um jogador cair...aí, o Mário numa disputa com um adversário, caiu, e começou a se queixar, quando se levantou em pé coxinho, e deslocou-se na direção do “banco” de suplentes, solicitando ao treinador:
- “Mister”! “Mister”! Dá-me gelo que estou lesionado!
O Mário João franziu o sobrolho, olhou diretamente para o “Nicho”, e cortando alguns pequenos “elogios” característicos do Mário João, ele deu um berro típico que ecoava no campo do Olival inteiro, dizendo:
- Seu...! Volta mais é para o campo! Vai jogar! Deixa-te de mariquices!
E recordo-me que o “Nicho” arregalou os olhos, espantado com a reação do treinador, e, voltou as costas ao “banco”, franzindo também o sobrolho, e baixando a cabeça, voltando novamente ao jogo, esquecendo da lesão que tinha tido!
Nessa época, o Nespereira acabou em 1º lugar da Zona Norte, disputando o titulo de campeão com o Parada de Gonta. Primeiro, o Nespereira jogou em casa, contra o Parada de Gonta, num jogo com muita chuva, e com o terreno todo empapado, em que o Nespereira venceu por 1-0, graças a um remate cruzado na entrada da área, do Quim.
Na segunda mão, em Parada de Gonta, o Nespereira perdeu por 3-0, mas acontecendo uma situação insólita, que foi, a de que, quando a equipa do Nespereira chegou à Parada de Gonta, para disputar o jogo, deram conta de que, faltava o equipamento do Nespereira, e então naquele jogo, o Nespereira viu-se obrigado a jogar com o equipamento alternativo do Parada de Gonta.

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